Projeto

 

O Rio Grande do Norte possui o título de terceiro estado mais açudado da região Nordeste. São cerca de 100 açudes públicos de grande porte, somados aos quase 5.000 particulares de menor porte. Algo que se aproxima de 100.000 hectares inundados para a exploração tanto da atividade pesqueira de subsistência quanto da empresarial. Porém, surpreendentemente, o estado produz apenas 5 mil toneladas anuais de pescado quando poderia ser no mínimo 5 vezes mais. Um dos motivos é a concentração da produção nos açudes públicos. Se a iniciativa particular fosse agregada a essa estimativa, a produção certamente seria maior.

Essa Produção também é enfraquecida pela baixa sobrevivência (5%) dos alevinos (filhotes de peixe) como são tradicionalmente soltos nos açudes, com cerca de 1 grama de peso e 1 cm de comprimento, servindo mais como ração de predadores. Por outro lado, se fossem soltos mais crescidos, a sobrevivência saltaria de 5% para 50% no mínimo, segundo os técnicos. Propósito do Projeto Peixe da Gente que consiste na aplicação de uma metodologia conhecida por Alevinagem que permite o crescimento dos alevinos até atingirem o mínimo de 30 gramas de peso e 12 cm de comprimento (fotos) ao final de 45 dias protegidos dentro de gaiolas.

A partir desse peso e tamanho são soltos no açude para viver do alimento natural até atingir o peso mínimo de captura entre 400 e 500 gramas. O nome oficial do Projeto é “Difusão da Tecnologia de Piscicultura Semi-Intensiva para Produção Familiar de Pescado em Açudes do Alto Oeste Potiguar”, financiado pelo Programa Petrobrás Fome Zero, depois de passar por uma seleção nacional à qual concorreram mais de 3.200 projetos.

O resultado final é um programa de capacitação em piscicultura semi-intensiva a ser repassado para 16 comunidades pesqueiras da região do Alto Oeste do Estado. A partir dessas, outras comunidades serão favorecidas graças à difusão que se espera do exemplo da atividade nas colônias iniciais que, no final do projeto, vão receber a infra-estrutura, treinamento e material informativo para difundir o método e a prática. A metodologia implantada será repassada e ensinada por aqueles que mais têm propriedade para tal: os próprios piscicultores.

O Projeto está investindo um total R$ 225 mil ou R$ 15 mil por unidade de cultivo. Dos 16 reservatórios selecionados, quatro são considerados de grande porte, ou seja volume acima de 50 milhões m³; três de médio porte, volume entre 10 e 50 milhões m³; e sete de pequeno porte ou volume de até 10 milhões m³. A escolha deveu-se mais a uma estratégica de distribuir estas unidades de cultivo para servirem de pólo de difusão do método para comunidades de municípios vizinhos. O Projeto está beneficiando diretamente um total de 450 famílias (formação de 30 piscicultores por unidade) ou 2250 pessoas considerando cinco pessoas por família conforme admitido pelos órgãos de gestão da pesca no Estado. Ainda segundo esses órgãos existem atualmente perto de 620 açudes na bacia hidrográfica (Apodi/Mossoró) do projeto, dado que permite estimar o vasto campo de aplicação do projeto e seu efeito multiplicador apenas na região onde está implantado. 

Do ponto de vista sócio-ambiental o processo e o método da piscicultura semi-intensiva é o mais recomendável para programas de piscicultura familiar em pequenos reservatórios. Inicialmente pela simplicidade de compreensão e aplicação do método e o baixo custo operacional e benefícios inquestionáveis em função de garantida de retorno imediato e duradouro dos recursos e esforços aplicados. Depois pelo seu baixíssimo impacto ambiental, para não dizer inexistente, além de contribuir para a manutenção da biodiversidade do meio aquático. Ideal para pequenos reservatórios pela sua falta de capacidade suporte ou risco de degradação do meio líquido por projetos de piscicultura intensiva em gaiolas, ou seja, cultivo geralmente de alta densidade com alto consumo de insumos e capital e de profissionais especializados em seu manejo. 

Por fim, constitui ainda objetivo do projeto conscientizar a comunidade de que a piscicultura, como prática econômica não se limita somente à pesca, mas também do aproveitamento de outras vantagens e oportunidades locais induzidas por ela. Evidentemente tudo praticado dentro de um modelo de desenvolvimento de uma economia rural socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável.